Jornal online feito pelas mulheres do Programa "Mariana D'Elas" da Secretaria Municipal de Assistência Social
Abril/2026
A MULHER E O AUTOCUIDADO
Saber dizer “não” também é uma forma de dizer “sim” ao autocuidado e ao respeito
aos nossos próprios limites
Se tratando de tirar um tempo para si mesma, muitas mulheres acabam se negligenciando; e isso impacta muito em sua saúde. Em conversa com três psicólogas, elas foram unânimes em dizer que isso acontece devido ao fato de que muitas mulheres terem sido social e/ou culturalmente educadas para priorizarem os cuidados a terceiros (como filhos, família, trabalho), se colocando, sempre, em segundo lugar. O autocuidado é uma necessidade básica para que se possa manter os equilíbrios emocional, físico e mental; e que também funciona como uma forma de prevenção, ou seja, quando a mulher consegue inserir em sua rotina diária ou semanal pequenos momentos para cuidar de si, ela reduz o estresse e consegue estar mais presente e saudável em todas as áreas da vida. Uma pequena pausa no corre-corre, alguns minutos de relaxamento, uma caminhada de 20 minutos, marcar um cafezinho com um (a) amigo (a), etc, que, se incluídos como um hábito rotineiro, o resultado será o equilíbrio de uma saúde plena.
Na psicologia, o cuidado de si envolve atitudes que promovem a qualidade de vida, ou seja, respeitar seus limites, ter momentos de lazer, dormir e se alimentar bem, cultivar relacionamentos saudáveis e se incluir na agenda. Aprender a delegar tarefas, estabelecer rotinas, pedir ajuda quando for necessário, se conhecer cada dia mais e melhor, reservar um tempinho do seu dia para algo que lhe traga prazer e relaxamento, prezar por momentos agradáveis em sua própria companhia, saber estabelecer limites, dentre outros, são ítens essenciais de saúde, principalmente para aquelas mulheres que vivem sobrecarregadas e sem tempo. E com isso, acabam entrando na síndrome do esgotamento profissional, o burnout. A psicóloga Maíra Tostes, 31, lembra que é importante entender que ninguém consegue dar conta de tudo sozinho, e isso é super normal. E quando não há esse olhar voltado para si, pode acontecer: cansaço, irritabilidade com frequência, estresse, falta de sono, falta de motivação, dificuldade de concentração, ansiedade, depressão, tristeza, etc. Todos esses sintomas podem se agravar cada vez mais, caso não haja uma busca por uma ajuda profissional para uma avaliação médica.
Já a psicóloga Andréa Duarte, 51, ressalta que o SUS oferece atenção psicossocial nos postos de saúde (atenção primária) e, em casos graves de sofrimento mental, no CAPS. Igualmente, Maira frisa que a terapia também é uma excelente aliada e ajuda a compreender e a lidar com essas emoções. “O que precisamos, e muito, é aprender que, ao dizer ‘não’, não estamos deixando de cuidar dos outros, mas que, se estivermos emocionalmente bem, podemos oferecer um apoio e cuidado com mais qualidade”, Maíra afirma. O autocuidado é uma necessidade e não um luxo, ele vai muito além da estética.
E mais, precisamos ficar muito atentas às redes sociais, que sempre apresentam padrões fora da realidade, nada comum; que contradizem com aquilo que somos e vivemos. O que aparece como ideal nas redes não é natural, sendo, na maioria das vezes, influenciado por filtros e edições. Elas aumentam o ideal do eu (quem você acredita que deveria ser), criando imagens quase perfeitas que nos prende ao olhar do outro e, consequentemente, nos causando sofrimento. Portanto, evitar comparações e o consumo desses conteúdos, e fortalecer a autoestima são passos importantes para preservar a saúde mental.
Quando a mulher se permite olhar para as suas próprias necessidades, sabe estabelecer seus próprios limites, além de ser um ato de respeito e amor consigo mesma, ela fortalece sua saúde mental, física e emocional. É importante repensar e questionar os ensinamentos que nos foram repassados de que devemos ser fortes, dar conta de tudo e cuidar dos outros e voltarmos mais para nós, o que sentimos, o que precisamos. De acordo com Andréa, é importante considerar nossos desejos, limites e histórias, primeiramente, por nós mesmas.
Se a mulher não volta o olhar para si, se não se cuida, poderá gerar individualização excessiva de problemas, gerar culpa. “Tristeza e ansiedade fazem parte da vida, mas tornam-se um sinal de alerta quando passam a causar um impacto significativo na rotina. Quando a pessoa deixa de realizar atividades que antes lhe davam prazer, quando há prejuízo no trabalho, nos relacionamentos ou no convívio social, é importante buscar ajuda profissional”, alerta a psicóloga do CAPS I, Walkiria Felipe. Ela é clara e simples em sua mensagem: “mulheres, cuidem de si mesmas. Amem-se, respeitem seus limites e não tenham medo de se priorizar. Quando uma mulher se cuida, ela se fortalece e consegue também cuidar melhor de tudo aquilo que é importante em sua vida”.
Saúde Mental e o Trabalho
De acordo com dados do site Cactus Invictus, de março de 2022, a sobrecarga de trabalho é um dos principais fatores que deixam as mulheres especialmente vulneráveis aos sofrimentos psicológicos. A sobrecarga física e mental de trabalho é um enorme desafio. Em mulheres com alta sobrecarga doméstica o número de mulheres com TMC (transtorno mental comum), como depressão, ansiedade, estresse e exaustão, vai de 1 a cada 5 mulheres para 1 a cada 2 mulheres.
No entanto, quando a mulher se cuida, em sinal de um ato de respeito e amor próprio, e questiona mais sobre seus sentimentos (o que está sentindo, o que precisa agora) e passam a considerar seus limites e sua história, primeiramente por elas mesmas, a saúde mental, a qualidade de vida e a autoestima, melhoram. O autoconhecimento e a prevenção do esgotamento emocional são fatores essenciais para se viver uma vida mais equilibrada e saudável. “Que cada mulher lembre que cuidar de si mesma é um ato de respeito e amor próprio. O autocuidado não é egoísmo, é essencial para viver com mais equilíbrio e saúde”, afirma a psicóloga Rhana Souza Ramos, 26.
Ângela Maria
