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Abril/2026

MULHERES QUE QUEBRAM BARREIRAS

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Flávia Nathália. / Foto: Arquivo Pessoal

Dirlene Carla e Gislene Araújo

      Sempre foi muito comum mulheres atuando como faxineiras, donas de casa, cuidando dos filhos, na cozinha, como secretárias, entre outras. No entanto, a mulher tem o direito de atuar onde ela quiser, como a entrevistada Flávia Nathália, que está na segunda carreira, que antes era dominada por homens. Ela trabalhou como motorista de ônibus por alguns anos. Ela evoluiu e hoje atua como operadora de trator de esteira D10. Outro exemplo é o da Maria das Graças, que atua como mecânica. Assim como Flávia, Maria também atua na área da mineração, um ambiente ainda, em sua maioria, composto por homens. “Na minha percepção, a presença das mulheres tem contribuído para transformar o ambiente de trabalho na mineração, tornando-o mais respeitoso e colaborativo. Com mais mulheres atuando em diferentes funções, as empresas passaram a olhar com mais atenção para igualdade de oportunidades e respeito no ambiente profissional”, Flávia disse.

 

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Maria das Graças (à direita) e colega. / Foto: Arquivo Pessoal

      Infelizmente, em muitos setores ainda é comum ter preconceito ou julgamentos quando há uma mulher à frente de um cargo que é considerado “masculino”. A mulher, a todo momento, precisa provar suas habilidades naquela função. “Um dos maiores desafios foi lidar com o preconceito, porque a mineração e a operação de máquinas pesadas sempre foram vistas como trabalho apenas para homens. Muitas vezes precisei provar, na prática, que eu tinha capacidade técnica e responsabilidade para fazer o trabalho tão bem quanto qualquer outra pessoa”, a operadora compartilhou. Ela ainda conta que conquistar o respeito no ambiente de trabalho foi um desafio. “No começo pode ser mais difícil para uma mulher, mas com o tempo a gente vai conquistando com a nossa eficiência”, completou. Com Maria das Graças não foi diferente. No início, o preconceito também existiu. “Houve desconfiança inicial de alguns , mas com o tempo o meu trabalho foi falando por mim”, a mecânica contou.

      Divorciada e mãe de três filhos, a história de Elizângela não é muito diferente das outras duas. Rotina pesada, carreira majoritariamente masculina, mas, felizmente, conta com uma boa rede de apoio. A motorista de caminhão é bem clara quando conta que vive um sonho. Ela sempre gostou de caminhões e preferia isso a ganhar bonecas. "Tudo que é novo nos assusta, mas fui muito bem acolhida por todos", conta a motorista que também trabalha na área da mineração. "Tive o privilégio de ter do meu lado uma pessoa incrível, um ser de luz, o Fábio Mol, pessoa de caráter, integro e muito humano, sempre me passando palavras de incentivo e de perseverança", acrescentou. 

Elizângela é motorista de caminhão. / Foto: Arquivo Pessoal

      Seja através de um sonho, uma oportunidade ou até mesmo curiosidade pela área, a mulher pode encarar qualquer desafio que se propor a encarar. O que falta são mais portas abertas e mentes livres de preconceito. Como nossas entrevistadas, hoje a mulher ocupa diversas carreiras, antes inimagináveis. Mais do que apenas donas de casas e mães, as mulheres hoje são motoristas, mecânicas, operadoras de máquinas fora de estrada e retro escavadeira, pedreiras, pintoras. “Deve-se continuar promovendo igualdade de oportunidades, tanto na contratação quanto no crescimento profissional, investir em um ambiente de trabalho respeitoso, com políticas contra preconceito e discriminação, adaptar estruturas e oferecer condições adequadas para todos”, Flávia chama a atenção. A mulher tem capacidade para ocupar diversos espaços e deve fazer isso. Para Maria, por exemplo, ter mulheres na mecânica é algo que ela vê como excelente. “A cada dia temos mais mulheres capacitadas e isso enriquece o setor com novas perspectivas e habilidades”, afirma. 

    Atuar em um cargo considerado masculino, para muitas pode ser um desafio. No entanto, o reconhecimento do seu trabalho vem com um sabor especial. É o momento em que a igualdade se torna real. “Orgulho-me de ser uma profissional respeitada no meu ramo e de conseguir equilibrar o trabalho com o cuidado da minha família”, Maria das Graças conta. Já Flávia está muito orgulhosa de si mesma e se diz satisfeita de fazer algo que antes só homens eram capazes de fazer. “Me sinto realizada, mas se o destino me colocar a mais uma prova ou experiência, estou pronta para aprender e superar”, a operadora acrescentou. E Elizângela nos chama atenção para o fato de que lugar da mulher é fazendo aquilo que a deixa bem. "Como mulher, enfrentamos desafios, mas é aquilo, lugar de mulher é onde ela quiser!", afirmou. Por fim, é acreditar e correr atrás. Se te faz bem, é o seu lugar. "Tenho aprendido muito que se a gente tem força de vontade, a gente coloca o pé e Deus coloca o chão", a motorista acrescentou. 

“Eu diria para acreditarem na própria capacidade e não terem medo de seguir uma profissão que gostam, mesmo que muitas pessoas ainda pensem que é uma área só para homens. Não desistam! A realidade é satisfatória!” - Flávia Nathália, operadora de trator de esteira D10.

 

“Não deixem o medo parar vocês! Ser mãe não é um obstáculo, é uma força que nos dá determinação. Busquem apoio e não desistam dos seus sonhos” - Maria das Graças, mecânica.

"Na subida, paciência, na descida, dá licença, que nós mulheres estamos superando preconceitos. Ser mulher em um ambiente majoritariamente masculino, é um ato de resistência diária, mas você está liderando a mudança na categoria" - Elizângela, motorista de caminhão.

SUBSECRETARIA DA MULHER E DIREITOS HUMANOS - PREFEITURA MUNICIPAL DE MARIANA/MG

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