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DESAFIOS E REALIDADES DAS MÃES ATÍPICAS

Aguida Raphaela

     O cenário para mães, de modo geral, sempre foi um desafio. Precisam fazer malabarismo para dar conta de criar os filhos, administrar o lar, trabalho fora de casa e se cuidar. Além disso tudo, ainda há a cobrança pessoal e externa, quando não “dá conta”. A verdade é que não precisam dar conta de tudo. O ideal é ter suporte e rede de apoio, para tudo isso se materializar. Infelizmente, nem todas possuem ajuda. 

      E para as mães atípicas o desafio vai um pouco além. Lidar com preconceitos ao inserir se no mercado de trabalho, por exemplo. Para elas, é difícil se manter no trabalho quando seus filhos precisam de acompanhamento para consultas e terapias. Outro ponto de preocupação é a espera por atendimentos de saúde. Raisa Campos, mãe do Vitor de 11 anos, conta que a maior dificuldade é conseguir consulta com o neurologista e a longa fila de espera para passar por atendimento no CER (Centro Especializado em Reabilitação) em Itabirito. “[...] estou aguardando há mais de um ano”, disse. 

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Raisa e o filho Vitor / Foto: Arquivo Pessoal

     Muitas dessas mães precisam se dedicar integralmente aos seus filhos e abdicar do seu autocuidado e abandonar o mercado de trabalho, devido à falta de rede de apoio. Felizmente, não é a realidade de todas. Algumas recebem algum tipo de ajuda, como é o caso de Luciana Torres, mãe do Asher de 4 anos, autista nível 1 de suporte. “No dia a dia, eu e meu esposo cuidamos dele, algumas vezes as tias ajudam, minha cunhada, minha sogra. Na ausência dessa rede de apoio, fico sobrecarregada. Eu trabalho por conta própria e algumas vezes meu esposo cuida dele enquanto trabalho”, conta. 

    Luciana chama atenção para o fato de como a fé a ajuda. Apesar da rotina apertada, ela explica que tira um dia da semana para si mesma para participar do culto só de mulheres. “Eu faço curso no momento que ele está na creche. Eu descobri que tenho mais força e coragem para lutar pelos meus filhos além do que imaginei. Eu acredito que todos nós somos capazes de cuidar de um ser humano que precisa de nós. Porém algumas são sorteadas por Deus para liberar mais amor”, relata.

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Luciana e o filho Asher / Foto: Arquivo Pessoal

    Infelizmente, por falta de apoio ou vontade, nem todas as mães têm esse tempo para si mesmas, algo extremamente importante em meio a uma rotina tão pesada e desafiante. Somado a isso, ter que lidar com o preconceito com seus filhos, que muitos enxergam como incompetentes, só piora a situação. No entanto, Luciana reforça que atípico não é sinônimo de incompetência. A mãe do Asher diz que “as pessoas que precisam de inclusão não deveriam ser tratados como incapazes, pois muitos são ótimos profissionais”. Sobre seu filho, ela se mostra bastante otimista. “Eu vou ensinar ele ser independente e não se vitimizar pois todos somos capazes”, afirma. 

SUBSECRETARIA DA MULHER E DIREITOS HUMANOS - PREFEITURA MUNICIPAL DE MARIANA/MG

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