Jornal online feito pelas mulheres do Programa "Mariana D'Elas" da Secretaria Municipal de Assistência Social
Editorial
PARA NUNCA ESQUECER
Na tarde de 03 de fevereiro de 2026, um homem, mais uma vez, se achou o dono absoluto da vida de uma mulher. Mais uma vez, uma família ficou enlutada. Mais uma vez, uma mãe perdeu uma filha. Mais que isso, uma mãe perdeu uma filha e uma neta. Larissa, de apenas 25 anos, e sua filha Maria Fernanda, de 2 anos, foram vítimas de um homem, que se achou no direito de acabar com duas vidas. Homem esse que se dizia parceiro e pai e, esperávamos, ser uma pessoa que zelaria pelo seu lar. No entanto, usou de sua força para fazer o mal e acabar com sua família. Não podemos esquecer. Jamais esqueceremos. Larissa não será apenas mais uma vítima do feminicídio. Ela, assim como tantas outras jovens e mulheres, eram o amor de alguém, a filha, a esposa, a mãe, a neta. Larissa era uma jovem com um futuro pela frente, um ser humano com seus sonhos e objetivos. Já Maria Fernanda, era apenas um anjo que havia chegado há pouco tempo no mundo. Um mundo cruel. Melhor, um mundo com pessoas cruéis. Um mundo com homens ruins, que se acham donos de suas companheiras.
LARISSA, MARIA FERNANDA, Ana, Joaquina, Lúcia, Flávia, Carmen, Paula, Luana... Maria da Penha, mulheres, jovens, anjos, vítimas do machismo, da crueldade humana. Não podemos deixar essa lista, que já é enorme, continuar crescendo. Larissa não deve ser mais uma em nossa cidade, em nosso estado e país. Chega de impunidade. Chega de violência contra à mulher, de todas as formas. Chega de palavras cruéis e aterrorizantes. Chega de violência psicológica, física, financeira. Chega de violência. Chega de feminicídio. Nós, mulheres, não aguentamos mais falar das violências que nós enfrentamos diariamente. Até quando? Até quando iremos perguntar quando isso irá acabar? E até quando iremos anunciar mais perdas? Estamos cansadas.
08 de Março foi há pouco tempo. O que comemoramos, mulheres? Pois só em 2025 perdemos 1.568 mulheres para o feminicídio. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, houve um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. 1.492 mulheres perderam as suas vidas em 2024. São 3.060 vidas em apenas dois anos. Mas a violência foi muito maior. A mulher que não morre nas mãos de seu agressor, fica com marcas para toda vida. Ela jamais esquecerá. Esperamos que ao chegar em 2027, esse dado não tenha crescido ainda mais.
Não queremos mais Larissa, Maria, Carla, Laura e outras tantas encerrando sua jornada precocemente. A mulher quer viver. A mulher quer estudar, trabalhar, cuidar da sua casa e da sua família. A mulher quer dançar, passear, viajar, ver filmes, conversar com os amigos. A mulher quer uma vida digna e independente. A mulher quer ser dona de sua vida e de seu corpo. A mulher é dona de sua vida e de seu corpo. A mulher não tem dono. Ninguém tem dono. Ninguém tem direito de tirar uma vida. Jamais esqueceremos Larissa, Maria Fernanda e inúmeras outras mulheres e jovens vítimas da crueldade do ser humano. Não vamos esquecer. Até quando pediremos justiça? Até quando pediremos o óbvio?
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