Jornal online feito pelas mulheres do Programa "Mariana D'Elas" da Secretaria Municipal de Assistência Social
Abril/2026
ESTUDOS: UMA CONQUISTA DIÁRIA
Maria de Jesus
De cada 10 milhões de matriculados no Ensino Superior no Brasil, 59,1% são mulheres. Dados do Censo da Educação Superior de 2023, que analisou a educação superior de 2013 à 2023, mostram que o número de mulheres matriculadas aumentou em 13%. Quando olhamos para o passado, esses números são imensamente positivos. Afinal, a mulher demorou bastante para ter o direito à educação e, mesmo após adquirir esse direito, demorou a ocupar esses espaços. Ainda hoje, muitas não terminam os estudos. Casa e filhos somados à falta de apoio, ainda interferem na continuidade da vida acadêmica da mulher.
O avanço tecnológico, com a possibilidade do Ensino à Distância, ajuda muitas mulheres a conciliarem suas rotinas intensas com os estudos. De acordo com a assistente social Rita Mendes, a educação é de suma importância, pois garante a independência e é através dela que se pode alcançar um padrão de vida melhor. Ela chama atenção para o fato de que além de cuidar da casa, dos filhos, a mulher ainda está enfrentando o mercado de trabalho e, muitas vezes, com carga horária excessiva, dificultando os seus estudos. “Tem que ter um jogo de cintura muito grande, pois são tarefas que exigem presença, concentração e, principalmente, disposição”, afirma a assistente social.
De fato, a educação desempenha um papel muito importante na vida de qualquer pessoa. E para a mulher, conciliar as obrigações familiares, o trabalho e os estudos é um desafio enorme. Mulheres como Rita, enfrentam esse desafio de peito aberto. Afinal, não é apenas fazer uma faculdade e encontrar um emprego na sua área. “A educação transforma a vida da mulher, traz empoderamento e independência, frente aos desafios propostos. Assim como a grande maioria das profissões, necessita que o profissional esteja atualizado e bem informado no que acontece no mundo, e ao seu redor; como as leis, resoluções, decretos que possibilitam o bom desempenho de qualquer profissão”, Rita disse.

A assistente social Cristiane Silva em seu ambiente de trabalho. / Foto: Ângela Maria
Na vida da Cristiane Silva, a educação também desempenha um papel importante. Mãe de dois filhos pequenos, esposa, atua como assistente social no CRAS e este ano encarou um novo e importante desafio: voltar para à universidade. Ela está cursando o mestrado na UFOP, mesmo lugar onde fez a graduação. Cristiane conta que quando prestou vestibular, não escolheu o curso de Serviço Social por uma motivação específica, pois ainda não conhecia bem a área e se tratava de um curso novo na UFOP. Foi ao longo da graduação que ela compreendeu a importância do serviço social, tanto que, junto com sua experiência na área, decidiu ir além e aprofundar os estudos através do mestrado. “A atuação do assistente social é fundamental, no código de ética, procura garantir que a prática seja nesses princípios, atuando de forma responsável e transparente, ofertando os serviços disponíveis dentro dos limites”, Cristiane afirma e completa destacando como a insuficiência de recursos e a fragilidade das políticas públicas são alguns dos maiores desafios da profissão no país. E quando perguntada sobre como faz para não levar o trabalho e os casos para casa, a assistente social diz: “Procuro estabelecer um limite entre trabalho e vida pessoal, evitando levar casos de trabalho para além do expediente, busco não deixar interferir na vida pessoal, até porque minha rotina não permite”.
Superada a barreira de conciliar rotina de casa e filhos com o trabalho e os estudos, para muitas mulheres surgem ainda outros desafios. Sueli Hilário Miranda, casada e mãe de dois filhos, hoje ainda arruma tempo para cursar Pedagogia. Para ela, o desafio está na desvalorização da classe. Muitas vezes, ela se depara com profissionais desmotivados e o que faz continuarem é o amor à profissão. Sueli conta que o que a motiva é o desejo do melhor para seus filhos e assim replica esse desejo em sala de aula com seus alunos. “Tem dias mais cansativos. Na maioria das vezes, nos falta energia para conviver em família, mas a fé me ajuda a superar e hoje o meu maior desafio é minha carga horária”, conta. Apesar disso, ela continua sua caminhada com maturidade. Ela acredita que a educação tem caminhado para um futuro melhor, no entanto, ainda é preciso de mais apoio das famílias para isso se concretizar. “Nos dias de hoje com a tecnologia, utilizada de maneira incorreta, percebemos pouco interesse dos alunos em sala de aula. Por esse motivo, precisamos de uma parceria entre família e escola, pois, na sua maioria, são os próprios pais que incluem a tecnologia na vida dos seus filhos, dificultando o aprendizado. A escola hoje se esforça muito mas ainda precisamos de recursos. Na prática, trabalhar na educação é desafiador”, acrescenta.
Histórias como as de Rita, Cristiane e Sueli nos mostram diferentes desafios da mulher em meio a educação e suas outras responsabilidades e compromissos. No entanto, é unânime a importância da educação e de encarar os desafios. Essas histórias mostram que é difícil e é um desafio diário, mas também é gratificante e importante. Vale a pena. É apenas um dia após o outro. Um dia de cada vez.