Jornal online feito pelas mulheres do Programa "Mariana D'Elas" da Secretaria Municipal de Assistência Social
QUEM CUIDA TAMBÉM PRECISA SER CUIDADO

Foto: Rosiane Hilário
Géssica Pascoal, Gislene Araújo e Rosiane Hilário
Os desafios na atenção básica em saúde vão muito além dos procedimentos clínicos. Há muito mais envolvido. É preciso ter sensibilidade no acolhimento e na escuta, é o que destaca a enfermeira Érika, 28 anos, que atua na Unidade Básica de Saúde - Centro 1. A profissional exerce a profissão há cinco anos e trabalha há um ano e meio em Mariana.
Vinda do ambiente hospitalar, ela hoje integra a equipe da atenção primária, onde o atendimento é amplo e voltado para a prevenção e promoção da saúde. “Aqui atendemos idosos, gestantes, crianças, fazemos curativos e trabalhamos de forma holística. Muitas vezes, além do cuidado técnico, precisamos acalmar, acolher e orientar”, conta.
Entre os atendimentos mais emocionantes estão os das gestantes — especialmente as de primeira viagem. “Algumas chegam com medo, insegurança, dúvidas. Às vezes estão desesperadas. Nosso papel é acolher da forma mais humana possível e nos colocar no lugar delas”, relata a enfermeira.
A unidade também oferece métodos contraceptivos, como DIU, injeções e anticoncepcionais, além de consultas com ginecologista e obstetra. Adolescentes que iniciam a vida sexual recebem orientação especializada, reforçando o papel educativo da atenção básica. Os curativos também fazem parte da rotina, principalmente em idosos, diabéticos, pessoas acidentadas e outras condições delicadas. “Esse é um perfil frequente aqui, então dedicamos muito tempo a esses cuidados”, Érika explica.
Apesar de todo o trabalho voltado à população, a enfermeira destaca um ponto que ainda carece de atenção: a saúde mental dos próprios profissionais. “Vejo que o cuidado com o profissional está defasado. Lidamos diariamente com pessoas angustiadas, estressadas e acabamos absorvendo parte dessa carga. Não temos atividades direcionadas aos trabalhadores dentro da unidade, só para a população”, afirma. Ela reforça que a sobrecarga emocional é real. “Quando atendemos alguém em sofrimento, levamos um pouco disso para casa. Precisamos de apoio psicológico, grupos de escuta, terapias voltadas para a equipe. Isso faria diferença enorme no nosso trabalho”, diz.
Para a enfermeira, fortalecer a saúde mental dos profissionais é fundamental para manter a qualidade do cuidado oferecido. “Sou completamente a favor desse tipo de apoio. Hoje vemos muitos colegas sobrecarregados. Cuidar de quem cuida é essencial”, afirma a profissional em saúde.