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VIOLÊNCIA ATÉ HOJE?

Escrivã Juliana Sandra Vilela Matos e o Delegado Marcelo Bangoim Fernandes / Foto: D'Elas para Elas

Apesar dos avanços, a violência contra a mulher continua


              Em conversa com Marcelo Bangoim Fernandes, delegado da Polícia Civil de Mariana, temas essenciais sobre violência contra a mulher foram abordados, revelando tanto avanços tecnológicos quanto dificuldades ainda presentes no acolhimento às vítimas. Ele enfatiza que, atualmente, qualquer pessoa pode denunciar situações de violência — inclusive vizinhos e familiares — e que diversos procedimentos já podem ser feitos de forma virtual, facilitando o acionamento da polícia e garantindo sigilo. “Às vezes a vítima não quer denunciar, por medo. Mas o vizinho sabe o que está acontecendo. Hoje isso é possível, antes não era”, explica.

          A violência vai muito além de apenas agressões físicas. A ameaça, o controle financeiro, as palavras agressivas, a pressão psicológica, as humilhações constantes, o abuso sexual dentro da relação, tudo se configura como violência e deve ser denunciado. No entanto, o delegado destaca que muitas mulheres só procuram ajuda quando há marcas no corpo, sem perceber que já estão sofrendo outras formas de violência. Ele reforça que a sociedade ainda carrega crenças equivocadas sobre o que “é normal” dentro de um relacionamento. “Muitas mulheres acham que, mesmo sem vontade, precisam manter relações. Isso é um abuso gravíssimo e ainda é muito comum”, afirma. 

          Durante a conversa, Marcelo destacou o uso do botão do pânico, uma ferramenta importante da Polícia Municipal, que tem ajudado nos trabalhos com as vítimas de violência doméstica. O botão permite o acionamento rápido da polícia, aumentando a agilidade no atendimento. As denúncias virtuais e canais diretos também vêm contribuindo para flagrantes e prisões em tempo real.

Outro ponto discutido foi o abrigo recém inaugurado em Mariana, para mulheres em situação de risco. “Antes, quando não havia estrutura, as mulheres ficavam em pousadas. Hoje o acolhimento está mais preparado, embora ainda faltam vagas para alguns perfis”, conta o delegado. Quando necessário, as vítimas são encaminhadas para outras cidades, como Belo Horizonte.

          A violência doméstica não afeta apenas as mulheres, mas também as crianças, que vivem nesse ambiente e que, com o tempo, acabam normalizando a situação. “Elas crescem achando que é normal. O menino acha que pode mandar e a menina acha que precisa aceitar”, afirmou o profissional. Isso reforça a necessidade de trabalhar o tema desde cedo nas escolas, assim como já acontece com debates sobre drogas.

Há treze anos no cargo de delegado e há um ano e meio atuando em Mariana, Marcelo destaca que o atendimento às vítimas vai além da atuação policial. É importante ter empatia e prestar apoio emocional. “O que mais a mulher precisa nesse momento é acolhimento”, disse, além de ressaltar que a cidade é uma das melhores no quesito acolhimento às vítimas. O profissional ainda chama atenção para o fato de Mariana ser uma das cinco cidades do estado com maior volume de ocorrências diárias. 

         A conversa com o delegado da Polícia Civil mostra que o município tem avançado em tecnologia, no acolhimento e nas estratégias de prevenção. Entretanto, ainda há desafios importantes, especialmente na conscientização da comunidade e na ampliação das estruturas de apoio. Marcelo reforça que a culpa nunca é da vítima e que denunciar é um passo fundamental para quebrar o ciclo de violência. Violência não deve ser normalizada e há muitos meios para se fazer a denúncia. Você pode ligar para a Polícia Militar no 190 ou no 153 para falar com a Polícia Municipal. 

Géssica Pascoal, Gislene Araújo e Rosiane Hilário

SUBSECRETARIA DA MULHER E DIREITOS HUMANOS - PREFEITURA MUNICIPAL DE MARIANA/MG

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